Noein - to your other self

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  Noein - to your other self
 

Episódios:   24
Estilo:   Serie de TV
Gênero:   Aventura/Drama/Psicho/Romance/Ficção
Tema:   Mundo Paralelo
Resolução:  720x480
Áudio:   Japonês
Legendas:  Português
Quantidade:   2 Discos
Opcional:  (1 Box c/ encartes)

Há obras que atravessam os anos conquistando admiradores e exigindo uma renovada interpretação a cada nova análise, e há outras obras que o tempo trata de aniquilá-las devido a sua concepção supérflua, efêmera. E muitíssimo felizmente, Noein - Mou Hitori no Kimi e (Noein - Para o Seu Outro Você) se enquadra na primeira opção, pois digo sem medo de estar equivocado: o anime em questão é um épico, um "cult", uma obra acima de seu tempo, algo absolutamente extraordinário. O que faríamos se pudéssemos ver um de nossos infinitos futuros? O que faríamos se o nosso presente não passasse de um nada absoluto? O que faríamos se o amor de nossas vidas tragicamente morresse? E para trazê-lo de volta você seria capaz de trocar a eternidade e as vidas que circulam no universo? Tudo simplesmente para poder tê-lo novamente.

Noein, palavra de origem grega que significa entender, cuja significação no anime ganha uma envergadura gigantesca. Afinal, entender o quê? Em um dia de primavera, Haruka viu um homem no telhado da igreja. Ele era Karasu, que veio de 15 anos no futuro, de um lugar conhecido como tempo-espaço ‘La'cryma’, Karasu era um Dragon Knight daquele local. Na verdade, ele era o amigo de infância de Haruka, Yuu – mas o Yuu 15 anos mais velho. Naquele mundo, 15 anos no futuro, houve uma grande guerra entre o tempo-espaço La’cryma e o tempo-espaço Shangri-La durante 10 anos. La’cryma estava tentando salvar o mundo usando 'tecnologia de ponta', enquanto Shangri-La estava tentando destruir todas as dimensões para começar todo o universo do zero. Diante do poder devastador de Shangri-La, La’cryma está perdendo território a cada batalha. A única esperança de resistir a Shangri-La é o ”Colar do Dragão“. O comando superior, ao perceber isso, envia os Dragon Knights, incluindo Karasu, para o mundo de 15 anos atrás para encontrar o tão sonhado ‘Colar do Dragão’. E enquanto isto, no presente, Yuu decidiu fugir de casa devido à depressão, causada pelas incessantes pressões de sua mãe para que estude cada vez mais, para poder freqüentar um colégio de Tóquio, e Haruka foi com ele, por causa de uma promessa que fizeram quando crianças de fugirem juntos. No entanto, Karasu (que, como já falei, é o Yuu 15 anos mais velho) reaparece diante deles. Naquele exato momento, o pescoço de Haruka começa a brilhar, e a partir de então não resta dúvidas de que ela é a responsável pelo ‘Colar do Dragão’.
(Não se assustem se tiverem achado a sinopse confusa. É aquele típico enredo praticamente impossível de ser explicado com meras palavras.)
A vida no futuro é marcada por uma tragédia (a qual prefiro não revelar, pois com certeza irá diminuir o impacto da série) que modifica drasticamente a vida de Haruka, Yuu e seus amigos Isami Fujiwara, Miho Mukai e Takuya Mayuzumi. Mas esses personagens do passado (que, na verdade, é o presente) obviamente de nada sabem sobre o catastrófico futuro que os espera. No universo, existem infinitos ”eus“ de todos os personagens, existem infinitas vidas deles mesmos, mas eles não fazem a mínima idéia de que, em algum lugar do universo, exista uma pessoa idêntica a eles mesmos e que, de algum modo, estão interligadas na árvore da existência. Afinal, é a junção de cada ”eu“ que dá sentido e faz o universo existir. E para que cada personagem possa literalmente existir, é necessário que suas existências sejam comprovadas em suas devidas dimensões (Tempo-espaço). E como elas são comprovadas? Assista à série até seu final, que com certeza ela dará uma explicação primorosa.
Noein não é só uma das ficções mais magníficas, uma série com grandes batalhas, é também um drama familiar memorável. Peguemos o exemplo da anormal cobrança que Yuu sofre de sua mãe, Miyuki Gotou: tal necessidade de ver o filho numa escola de Tóquio foi causada porque, durante a adolescência, ela perdeu sua irmã (Emi) que estava estudando para ir a uma grande escola da capital japonesa. Daí o motivo para que ela, Miyuki, exija tanto que Yuu estude, pois ela quer que ele ocupe o lugar que sua irmã não pôde devido à sua morte tão prematura. É comovente ver o modo como Yuu reconhece a sua total incapacidade (ao contrário da maioria dos outros animes, que mesmo sabendo que vai levar uma surra, o personagem principal insiste em lutar) de poder ajudar Haruka, afinal, ele não passa de uma criança sem nenhum poder especial e, além de reconhecer, ele odeia tal incapacidade, chegando a proferir: ”Eu odeio ser assim!“. Haruka, que tem um poder incalculável, sofre e chora por seus amigos, demonstrando imensa fragilidade quando vê um dos futuros terríveis no qual eles podem vir a morar. Mas é necessário enfrentá-los, por mais que o destino seja triste, temos de enfrentá-lo, pois a vida não é só alegria, ela é também tristeza. E o anime toca em tal ponto (sendo bastante influenciada pela filosofia de Nietzsche) com extrema verossimilhança.
Mas o que indubitavelmente é mais estupendo nesse anime é o modo como ele trata de temas tão complexos como a existência e a solidão. Noein, personagem que dá o nome ao anime, é um ser amargurado, solitário por ter perdido todas as pessoas às quais ele realmente amava. É ele o ”homem-quântico“ que comanda Shangri-La. Seria ele, então, realmente o vilão da trama? A série também trata de temas quânticos de forma esclarecedora. Cita, por exemplo, o Layze, que é a menor partícula que monta toda a matéria. É a existência vital que controla o tempo-espaço. No anime, ele equivale ao átomo. O tema do passado, presente e futuro foi algo colocado no anime com extrema inteligência. Para os habitantes de ‘La'cryma’, é como se o passado de Yuu e Haruka não foi algo que verdadeiramente tenha ocorrido. Está mais próximo de uma quimera do que uma realidade. Os habitantes de ‘La’cryma’ ainda têm o poder de mudar o destino, de mudar até mesmo o passado (daí o motivo de Karasu ter viajado até o passado-presente). Também vale mencionar a vital importância dos personagens secundários: todos têm alguma ligação tristíssima com o futuro, e não resta nada a eles a não ser aceitá-lo do modo como o destino impôs.

Invariavelmente o roteiro é o ponto alto do anime, mas não posso deixar de citar a direção de Kazuki Akane (Escaflowne: O Filme), que durante os vinte e quatro episódios conduz com maestria a série, optando por algumas tomadas antológicas. A trilha sonora composta por Hikaru Nanase (mesma compositora do genial ‘Chrno Crusade’) é impecável quando entra e quando sai de cena. A animação a cargo da Satelight tem momentos de pura perfeição, principalmente quando mostra Haruka vendo seus possíveis destinos, cujas sombras e luzes conseguem uma harmonia rara, mas em outros fica evidente que algumas cenas foram boicotadas, financeiramente falando.

Com alguns problemas no início da série, mas que, com o seu decorrer, são ofuscados pela magnitude do roteiro e da direção, ‘Noein - Mou Hitori no Kimi’ é um anime absolutamente brilhante, que com certeza ficará guardado num local especial para a posteridade.