Metropolis

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  Metropolis
 

Episódios:   1
Estilo:   Movie
Gênero:   Ação/Aventura/Drama/Romance/Ficção
Tema:   Garota Cyborg
Resolução:  720x480
Áudio:   Japonês/Inglês/Espanhol
Legendas:  Português/Ingês/Japonês
Quantidade:   1 Disco
Opcional:  (1 Box c/ encartes)

A pergunta mais comum feita em relação a este anime é, sem dúvida, se ele tem alguma coisa a ver com o longa-metragem alemão "Metropolis", dirigido por Fritz Lang em 1926 e que também se passa em um futuro supertecnológico e totalitário. Tezuka sempre afirmou que não se baseou no filme alemão, ao qual ele não assistira, mas que se inspirou apenas no poster original da obra de Lang. O fato é que existe muita coisa semelhante entre as duas obras: um tirano que não se importa com as massas, uma população oprimida que se revolta, além da presença de robôs femininas com papel fundamental no enredo (Maria e Tima). Coincidências à parte, não dá para negar que a história do anime (e, provavelmente, também a do mangá) possui brilho próprio, e cativa o espectador com facilidade desde o primeiro minuto.

A presença de excelentes personagens é um fator decisivo para conquistar o público, e Metropolis não decepciona neste aspecto. Kenichi, apesar da aparência frágil, não é um bobalhão, e amadurece admiravelmente frente às dificuldades. Tima é uma personagem complexa, cuja expressão vazia e robótica contrasta com sua perfeita aparência humana. De vez em quando ela emana lampejos de humanidade, especialmente quando exposta ao sol: nestes momentos ela parece reluzir, como se fosse uma obra divina. Os demais personagens são igualmente fascinantes, com um destaque especial para Rock. Inexistente no mangá de Tezuka, Rock foi uma criação pessoal de Katsuhiro Otomo. Ele se encaixou tão perfeitamente à história que fica difícil acreditar em sua ausência na obra original. Metropolis perderia muito de seu encanto sem este personagem tão complexo e ambígüo.

Já viram que a parte técnica ficou pro final, certo? Pois é, a verdade é que não dá para descrever em palavras a perfeição absoluta que é Metropolis na parte visual. A Madhouse prova, mais uma vez, que está muito acima dos demais estúdios japoneses de animação, talvez à exceção do Ghibli e da Production IG. Seus cenários são de uma riqueza de detalhes impressionante, com efeitos de computação gráfica usados de forma brilhante e nada gratuita. A animação fluida e perfeita dos personagens mostra a razão pela qual foram gastos tantas células de acetato. Um aspecto interessante diz respeito aos diferentes estilos de desenho utilizados nos cenários e nos personagens. Enquanto os cenários de fundo representam o que há de mais impressionante em termos de tecnologia 3D, os personagens foram desenhados à mão, no mesmo estilo utilizado no mangá de Tezuka. Muita gente não gostou desta mistura: sinceramente, não tenho reclamações a este respeito.

A trilha sonora jazzística, apesar de interessante, parece um pouco deslocada em alguns momentos, mas isto não é um problema sério. Problema, mesmo, são os exageros presentes nas seqüências finais de Metropolis. Tudo caminhava de forma quase perfeita até ali, mas a quantidade de situações exageradas e despropositadas é tão grande que tira parte da força da história e de sua aura realista.

Com referências à Torre de Babel (chamada de Zigurate pelos babilônios) e cutucando a eterna vontade do homem de se equiparar a Deus, Metropolis definitivamente não é um festival de belas imagens sem substância. Sua história teria força suficiente para se sustentar por conta própria, mesmo em uma produção de baixo orçamento. Como ela veio embalada num pacote super-luxo, repleto de imagens e seqüências inesquecíveis, só nos resta encostar na cadeira e aproveitar a viagem ao máximo!