Kiba

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  Kiba
 

Episódios:   51
Estilo:   Serie de TV
Gênero:   Ação/Aventura/Fantasia
Tema:   Mundo Paralelo
Resolução:  720x480
Áudio:   Japonês
Legendas:  Português
Quantidade:   4 Discos
Opcional:  (2 Boxs c/ encartes)

Kiba é um shounen que, basicamente, demonstra o conflito entre quatro territórios e focaliza essas diferenças entre eles nas concepções filosóficas e de vida das personagens que lutam para defender cada um deles. Criado pelo Madhouse, o anime é baseado em um cardgame (no estilo de Pokemon, Yu-gi-oh e Magic). Entretanto, diferente do que se esperaria de um anime com essa origem, Kiba não faz concessões para atenuar a violência dos conflitos que retrata. Pelo contrário: em dados momentos, certas cenas são tão pesadas que até destoam do visual dos monstrinhos (alguns mais fofos que o Pikachu) que atendem pelo nome de Espíritos e servem de arma combativa para os mais dotados guerreiros da história que se desenrola.

A força motivadora de Kiba está, sem dúvida alguma, em seu primeiro episódio. Aqui temos a retratação de Calm, uma cidade na qual "o vento nunca sopra", literalmente. O protagonista, Zed vive aí com seu melhor amigo, Noah, o qual sofre de uma condição degenerativa crônica que o limita fisicamente e coloca um tempo de vida pré-determinado nele, o qual se acelera caso seja ativo demais. Ele resolveu, no entanto, viver normalmente o tempo que lhe resta. Além disso, Zed também sofre por sua mãe, catatônica desde sua infância e completamente alheia a estímulos. Zed sonha em sair de Calm, da cidade na qual o vento nunca sopra, e encontrar algo diferente para si. É forte e impetuoso, ao passo que Noah, arraigado, é gentil e idealista.
Esse tipo de conflito entre "dois personagens com personalidades diametralmente opostas mas que estão juntos, são amigos, ao menos até que ocorra o ponto de cisão, quase sempre doloroso e de grandes proporções", é fórmula já batida nos animes, mas ainda funciona (é universal, afinal). Assim como Artrhun e Kira em Gundam Seed, ou Kazuma e Ryuhou em s-Cry-ed, o público já pode ver a milhas de distância o que vai acontecer, mas isso não o impede de continuar assistindo e de sentir prazer no conflito que se delineia.
Seguindo na introdução, Zed é perseguido por um homem com razões que desconhece, até que sua mãe reage e revela poderes de um Shard Caster contra ele. Shard Casters são pessoas capazes de usar cristais naturais de energia, inexistentes em Calm, permitindo, entre outras coisas, a evocação de ataques mágicos e da forma manifesta de um espírito, ou a utilização de armas e escudos. Durante o conflito entre sua mãe e o desconhecido, Zed acaba sendo transportado para um mundo desconhecido e recebe um espírito, o mais poderoso de todos os seis espíritos-chave, Amil Gaul.
Uma vez no novo mundo, Zed vai aos poucos tomando conhecimento de sua geografia e estado político. Ele acabou por cair em Templer, onde se encontra com o sábio Jiko e a garota Roya, ambos Shard Caster, e Jiko sendo ainda um dos membros do governo local. A diferença entre Templer e Calm é notória, o clima outrora desalentador da série fica ameno e o design dos personagens segue no fluxo. Templer é um país que defende a tolerância e as boas relações, além de ser, militarmente, um dos mais poderosos. Além de Templer, os outros quatro países são: Neotopia, um estado de ordem absoluta e leis totalitárias liderado por um "papa"; Tusk, território ermo no qual o barbarismo das linhagens nobres impera, sendo que o mais poderoso tem direitos sobre os mais fracos, lá existindo duas raças, os humanos (que diferem dos "humanos normais", pois possuem chifres em seus ombros) e os homens-bestas; os Seekers, país do qual pouco se sabe e que é, na verdade, nômade. Cada país acredita possuir um "salvador", e agentes designados pelos seus líderes buscam por essas pessoas, que seriam as únicas capazes de controlar os espíritos-chave.
Além dos países, existem outros territórios, como Kalbufu, que está em rebelião (liderada por Rebecca) contra Zimoto, comandado por Hughs. Hughs fora conselheiro do governante de Zimoto, pai de Rebecca, o traindo e se aliando a Tusk para conseguir atingir suas ambições. Então Rebecca, buscando vingança, se aliou a Kalbufu (território antigamente explorado por sua dinastia) com a intenção de derrubar Hughs. Outro território importante na história é Ulbacus, que abriga as pessoas exiladas de Neotopia. Para compensar a impossibilidade de se viver em um local sofrível como Ulbacus, seus habitantes desenvolveram tecnologia de alto nível, ao ponto de pessoas incapazes de se tornarem casters poderem evocar ataques e até mesmo espíritos.
O ponto forte do anime em termos de roteiro é justamente o fato de não fazer concessões mesmo. Muita gente morre, mesmo personagens importantes, em algumas cenas e até de maneira chocante. Assim sendo, não dá pra ter muita certeza do que vai acontecer. O ponto fraco é que os personagens mudam da água para o vinho de maneira muito brusca. Em dados momentos isso é até bem vindo, mas em outros soa inverossímil. Dois casos severos que cito são Dumas, que atua de uma maneira que ultrapassa a barreira do convincente e esbarra na impossibilidade, e o próprio Noah, que após sucessivas desgraças encontra em Neotopia uma filosofia a seguir, mesmo que à custa da vida de pessoas inocentes, de uma maneira pouco condizente com o desenvolvimento da personagem.
O fluxo narrativo do anime também é irregular, ora atiça o interesse, ora dá vontade de dormir. Algo até compreensível em uma série de 51 episódios, mas a enrolação é nítida demais. É preciso frisar também que certas informações ficam subentendidas em excesso, ou seja, você tem que fritar o cérebro para preencher lacunas (ou pesquisar depois). No quesito personagens, preciso dizer que Kiba teve a felicidade de criar um cast dos bons, que sofrem e se motivam de maneira verdadeira e por motivos lógicos. Até mesmo ofereceu novos ângulos de observação para o dilema da própria origem, de uma maneira que foge do banal repetido por outras séries. Destaque para Zed, Roya, Sagiri, Pino e até mesmo Jiko, que demonstra uma inesperada faceta nos excelentes episódios finais.
Agora minha maior birra com a série: o aspecto técnico. Em primeiro lugar, os espíritos e seu design. Exceto pelo Sachira e Amil Gaul, eles não impressionam muito, parecem saídos de um card game bem genérico, e alguns são até ridículos. Os ataques são lerdos. Os efeitos de destruição pouco destrutivos. A ação é paradona. Estilo combate de Pokémon mesmo. Para uma série da Madhouse, isto não pode acontecer. Se quiser economizar, faça planos estáticos alternados com ação decente, como foi feito em Gundam Seed, por exemplo. O anime parece de 15 ou 20 anos atrás nesse aspecto. Além disso, os combates entre humanos são bem feios, sem cortes rápidos que pelo menos emprestem sensação de velocidade e disfarcem o orçamento apertado. Para isso, a solução seria investir em diálogos bem construídos e até mais explicações, a fim de deixar a ação um pouco de lado, já que se for para ter ação ruim, melhor não ter.

A trilha sonora também não ajuda muito. Faltou algum tema mais épico para ”aquela“ batalha (como a do Zed contra o Hughs, por sinal a única com animação decente), faltou o tema triste, faltou até o tema alegre. Só tem aquele tema opressivo, que parece indicar alguma desgraça próxima. As duas aberturas até são boas, mas a última ficou datada no episódio 40, não acompanhava mais a série.
De modo geral, Kiba é um anime que vale a pena. Meio confuso às vezes, sofre com uma animação regular e um character design instável, mas que, no que concerne de mais importante, o roteiro, acaba se sobressaindo. O final é especialmente feliz ao dar a possibilidade de se pensar e obter variadas e interessantes respostas (quem freqüentar foruns e comunidades de discussão poderá testemunhar isso) que não contradizem o anime exatamente pelas aberturas que o roteiro oferece. Com um personagem cativante e forte como Zed, que faz uma dupla muito legal com Amil Gaul, o qual apresenta grande carisma sem dizer uma única palavra no anime inteiro, seria uma pena deixar a oportunidade de ver esse aqui passar.