Hajime no Ippo Completo

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  Hajime no Ippo Completo
 

Episódios:   76 + Movie + OVA + 26 New Challenger + 25 Rising
Estilo:   Serie de TV
Gênero:   Comedia/Drama/Torneio
Tema:   Boxe
Resolução:  720x480
Áudio:   Japonês
Legendas:  Português
Quantidade:   10 DVDs
Opcional:  (6 Box's c/ encarte)

Para compreender o complexo mercado de marketing nipônico, é necessário primeiro dar uma olhada no exagerado perfil consumista dessa sociedade, conhecida por sufocantes cargas horárias nas escolas e corporações, pela implacável disciplina e um inflexível conservadorismo nas relações humanas. Com uma economia que, mesmo em tempos de crise, é o sonho de consumo de outras nações do Primeiro Mundo, o trabalhador japonês tem direito a apenas três semanas de férias num período de um ano: é o período apelidado de golden week. Além disso, jornadas de trabalho cavalares dos adultos obrigam os mais jovens a cumprirem longas horas nas escolas, onde entram pela manhã e só são liberados à noite, quando os pais já retornaram para casa. Com poucas brechas para irromper em desabafos sob a incessante pressão de sua cultura, ao indivíduo japonês resta "ir às compras", para usar um termo bem direto e franco. Viva o capitalismo! :D
Bem, a esta altura você já deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a review em pauta. É simples, como explicar a existência de tantos mangás e animes de gênero tão específico como o esportivo na pequena ilha tecnológica do Oriente? Ora, com tanta frustração e dinheiro no bolso fica fácil compreender. Há, sim, mercado para todo e qualquer tipo de (boa) proposta de marketing que, por tabela, sirva como válvula de escape para esses cidadãos. E é exatamente aí que se encaixa Hajime no Ippo.
Criado por Morikawa Jyoji, que também utiliza a alcunha de George Morikawa, Hajime no Ippo estreou na Shonen Magazine, da Kodansha, em 1989, tornando-se em pouco tempo num fenômeno de vendas no Japão. O caminho de Ippo até a telinha, no entanto, só seria completado em 2000, quando a Madhouse (Vampire Hunter D, Metropolis, BECK) ficou incumbida de recriar o best-seller com a arte da ilusão de movimento, numa série televisiva que alcançou os 75 episódios, seguida por um longa-metragem (Hajime No Ippo Champion Road, de 2003), um OVA spinoff (Hajime no Ippo Mashiba vs. Kimura Shikei Shikko, de 2003) e, é claro, a um número de videogames não menos bem sucedidos.
A história pensada por Morikawa parece beber indiretamente da fonte de Ashita no Joe, de Asao Takamori e Tetsuya Chiba, mangá-fenômeno que deu origem a uma série de TV e dois longas-metragens extremamente populares na Ásia nos anos 1970. Esta franquia serviu de influência direta, alguns anos depois, para Rocky - Um Lutador (1976), clássico do gênero estrelado pelo então desconhecido Sylvester Stallone, vencedor de três Oscar. Em comum, ambas as produções contavam a história de um lutador da classe operária que acaba se tornando candidato a campeão de boxe.
Num mundo definitivamente globalizado, uma cultura influencia a outra e vice-versa, e, com Hajime no Ippo, o Japão resolveu devolver a Hollywood o que Hollywood pegou emprestado do Japão, misturando ingredientes das duas produções citadas acima. Aqui, o gentil estudante colegial Ippo Makunouchi não possui qualquer interesse em boxe ou qualquer outra atividade esportiva. Na escola, o adolescente encontra-se socialmente isolado por conta de sua indefectível compulsão por auxiliar a mãe na administração do aluguel de um modesto barco de pescas. Não bastasse isso, Ippo é o alvo preferido de um bando de valentões do colégio que enxergam nele o estereótipo do perdedor.
O protagonista se depara pela primeira vez com o boxe quando uma de suas surras é interrompida por Mamoru Takamura, um astro local do esporte. O grandalhão empresta a Ippo alguns vídeos de luta que provocam no garoto um interesse fora do comum pela violenta arte. Após provar a Takamura que deseja tornar-se um profissional, Ippo é levado para o ginásio Kamogawa, onde conhecerá Miyata, outro jovem lutador que tem por objetivo alcançar o ponto mais alto da carreira de um boxeador. A amizade servirá como inspiração e catapulta definitivas para nosso jovem herói trilhar seu destino neste esporte.
Daqui em diante, Hajime no Ippo não é um anime para todos. Embora recheada de drama e comédia, a história se concentrará sobretudo nas lutas que o herói terá pela frente, nos inúmeros golpes quase sempre "indefensíveis" dos adversários e no esforço incansável de Ippo em superar-se a cada desafio. A fórmula, porém, não drena o mérito da saga, sob medida para os fãs que curtem muita ação e suspense em lutas cuidadosamente diferenciadas entre si pela densidade e técnicas.
Enganam-se aqueles que pré-julgarem Hajime um anime violento. Embora graficamente "pesado", paradoxalmente este drama de Morikawa prega a compreensão e a humanização dos personagens, até mesmo a dos mais assustadores à primeira olhada. Para cada motivação aparentemente malevolente de um suposto "vilão", cai o pano e entrega-se um ser humano com seus próprios problemas e dificuldades. Desta forma, Hajime no Ippo não possui vilões, mas apenas "adversários" estritamente pela conveniência desportiva. Apenas por não cair nesta visão simplista -- e tentadora -- do gênero, a série já mereceria uma chance dos fãs mais céticos.
Ippo, por sua vez, é definitivamente um protagonista cativante. Sua natureza essencialmente franca, humilde e tímida acabará conquistando o mais ranzinza dos espectadores. Destaque ainda para o brutamontes Takamura, o desleixado e hilário boxeador mais importante de Kamogawa que aqui e ali arrancará risos por conta de seu comportamento despojado e espontâneo.
A animação da Madhouse também não deixa dúvidas da qualidade. Adaptar um mangá para anime não é uma tarefa das mais corriqueiras, principalmente quando o autor possui um traço muito peculiar. Há uma certa dureza nos quadrinhos de Morikawa que parece ir na contramão do movimento, sem desmerecer a qualidade de sua estupenda arte. Transpor satisfatoriamente esta característica tão específica para a animação é um desafio para poucos e isso é atingido aqui. Não espere uma obra-prima visual de uma série tão longa quanto Hajime no Ippo, mas saiba que a produção tem seus momentos, sobretudo quando a cena em questão se trata de uma luta. Há expressão e slow-motion de sobra para os apreciadores.
Preste atenção no eletrizante tema de abertura "Under Star", da banda Shocking Lemons, ressoando uma deliciosa influência que esbarra na angústia techno-rock das composições de Joy Division e New Order e no clássico tema "Eye of the Tiger", da banda Survivor para o já citado filme Rocky. Depois de ouvi-la por alguns episódios, não há como manter os pés parados durante a execução do tema. "Inner Light", segunda canção de abertura do anime, composta pela mesma banda, também manda bem.
Como curiosidade e atestado de competência, fica o fato de que George Morikawa, antes de ser um mangaka, é também empresário de alguns jovens boxeadores japoneses, podendo ser visto nas imediações do ringue em diversas lutas naquele país. Na contracapa de um dos volumes de Hajime no Ippo, o autor declara humildemente que se considera um novato no que faz, mas que "está aprendendo".
Para os que viram toda a saga de Ippo e saíram insaciados, o mangá que inspirou a série continua sendo publicado no Japão com todos os méritos e ainda sem qualquer previsão de conclusão
Hajime no Ippo não vai mudar o gênero, não é uma obra inesquecível e não marcará a sua vida para sempre. Esta não é uma série fácil a começar pelo fato de ser absolutamente generalizada. Se o seu negócio é drama e romance, fique longe deste anime para evitar maiores decepções. Se quiser correr o risco, porém, aplique uma dose de paciência e acompanhe o primeiro arco da história, pois o final, ao contrário de muitos equivalentes do mercado, é absolutamente empolgante e lhe dará novo gás para saber até onde este simpático herói poderá chegar
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